
Em tempos frequentei muito uma discoteca aqui da zona. A certa altura tornou-se um vício. Cruzei-me com uma pessoa muito intrigante. Tinhamos conversas interessantes dos mais variados temas, até que, como não podia deixar de ser, sobre sexo. Já não ter sido logo a primeira abordagem foi muita sorte, tendo em conta o meu interesse pelo tema... Mas isto ainda foi na altura em que era possivel ter conversas de jeito e fazer amizades no mirc. Hoje em dia, para mim, está sem interesse nenhum. Comecámos por falar de sexo de uma forma, diria, quase didáctica, mas depois tornaram-se conversas excitantes, provocadoras, quase mesmo obscenas. Um dia, esse homem, do qual eu sabia muito pouco a nível pessoal, propôs-me um encontro. Não era um encontro normal. Eu teria de ir ter com ele a um determinado hotel e levaria os olhos vendados. Ele não queria ser reconhecido. Assim sendo, e para estarmos de igual para igual eu sugeri que também ele estivesse de olhos tapados. No dia combinado, cheguei ao hotel, dirigi-me à recepção e perguntei se tinham algum recado num nome inventado por nós, uma vez que nem numeros de telemovel trocámos. Disseram-me para subir ao quarto 203. Subi, vendei os olhos e bati à porta. Do outro lado ouvi: Estás com os olhos bem tapados? Respondi: Estou, e tu? Senti a porta abrir-se. O meu coração disparou. Dei uns passos em frente e a porta fechou-se atrás de mim. Senti umas mãos fortes tactearem-me até chegarem à altura dos olhos, depois senti apertarem-me ainda mais a venda com um nó. Estiquei os braços e procurei-o. Ele era bem mais alto do que eu e estava também de olhos tapados. Elevou-me pela cintura. Pus as pernas à volta dele. Segurou-me só com um braço e apercebi-me que com o outro braço ia procurando o caminho. De repente, fui empurrada para cima da cama. Assustei-me. Senti as mãos dele pelo meu corpo. Eram quentes, fortes, grandes. Chegou à minha cara e percorreu-a devagar. Acariciou-me os cabelos e beijou-me. Primeiro de uma forma meiga, depois arrebatadora. Retribui. As mãos desceram até aos meus pés. Descalçou-me, afagou-me os dedos e beijou-me os pés e foi-me despindo peça por peça bem devagar, procurando os botões, os fechos. Fiz o mesmo. Até que ficámos pele com pele. Fomos reconhecendo os corpos mutuamente através das mãos, dos lábios, da lingua. Senti-me tão excitada, foi tudo tão diferente. Os cheiros eram mais intensos, o sabor da pele dele também, o sentir o corpo, os sons... tudo parecia tomar outras dimensões com os olhos tapados. Tivemo-nos um ao outro de todas as maneiras e feitios e ora de forma mais doce, ora de forma bem selvagem, bem animal. Dissemos coisas porcas, gememos, sussurramos. Os nossos corpos colavam-se de transpiração, de fluídos de esporra. Fomos até à exaustão. Pedi para tomar um duche, ele também tomou e usámos sempre as vendas. Antes de me ir embora, ele disse-me naquela voz que nunca vou esquecer: "caso-me daqui a duas semanas. Esta foi a nossa despedida. Não vamos mais falar nem estar juntos. Foi muito bom conhecer-te. És uma pessoa muito especial e podes ter a certeza que nunca te vou esquecer. Marcaste-me de muitas formas." Senti um nó na garganta. Levantei-me, cheguei à porta com dificuldade e saí. Apeteceu-me, por breves instantes, ficar no hall do hotel à espera que ele saísse para o ver, mas quis respeitar a posição dele. Fui embora.